Jovem esfaqueada dentro de casa em Londrina era ‘stalkeada’ pelo suspeito do crime, diz delegado

Jovem esfaqueada dentro de casa em Londrina era ‘stalkeada’ pelo suspeito do crime, diz delegado

Jovem esfaqueada dentro de casa em Londrina era ‘stalkeada’ pelo suspeito do crime, diz delegado

No depoimento, a jovem disse que nunca teve relacionamento amoroso com o suspeito e que ele estava “stalkeando” ela, dias antes, nas redes sociais. O termo, em inglês, significa perseguição e passou a ser tipificado como crime em 2022. Veja penas abaixo.

Segundo o delegado Reis, durante a oitiva, a sobrevivente contou que o autor conhecia ela porque os dois trabalharam juntos.

“Talvez tenha dois perfis fakes que ele utilizou na época para persegui-la, para acompanhá-la. Pelo que ela disse, realmente esses perfis quem criou teria sido ele”, disse o delegado.

“Eles tinham relação de amizade, porém, de uns tempos pra cá, esse indivíduo estava interessado nela em uma questão amorosa, mas ela deixou claro pra ele que não tinha interesse, só amizade”, falou.

No ataque, morreram Júlia Beatriz Garbossi Silva, de 23 anos, e o namorado da sobrevivente, Daniel Takashi, de 22 anos. O caso aconteceu no domingo (3), no Jardim Jamaica, Zona Oeste, por volta das 6h15.

O g1 tenta contato com a defesa dele.

Faca usada no crime — Foto: Reprodução

Como o ataque aconteceu

Júlia Garbossi, estudante assassinada a facadas enquanto dormia — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Segundo o depoimento da jovem, os três dormiam quando na mesma casa quando ela acordou com o suspeito em cima dela. Conforme o delegado, ela contou que pensou, inicialmente, que estava com paralisia do sono.

Depois, se deu conta de que estava sendo atacada. Ela ficou ferida e gritou por ajuda. A amiga, Júlia, foi até o quarto e foi atingida por golpes de faca. Ela morreu no local.

O namorado da sobrevivente foi golpeado e também morreu antes da chegada do socorro.

Vítima teve que convencer suspeito

Durante o crime, o suspeito algemou a sobrevivente. Ao delegado, ela disse que teve que convencer ele pra levá-la ao hospital.

“Então ela [sobrevivente] disse pra ele parar, porque ela ia morrer. Ela convence ele pra ir até o hospital, que não ia dizer nada, que tinha sido um assalto e chamaram um motorista de aplicativo e contaram essa história”, falou.

O suspeito e a sobrevivente foram até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Sabará e, durante o atendimento com os médicos, ela contou a história verdadeira aos médicos e a Polícia Militar foi acionada.

Os policiais encontraram uma faca e um canivete com o suspeito. Ele passou por audiência de custódia e teve a prisão preventiva decretada pela Justiça.

Jovem cursava Ciências Sociais na UEL, em Londrina (PR) — Foto: Reprodução/RPC

Luto

Na segunda-feira (4), a UEL suspendeu as aulas dos cursos de Letras, Ciências Sociais, História e Filosofia, que integram o Centro de Letras e Ciências Humanas (CLCH) da instituição.

Lei contra ‘stalking’

Em 31 de março de 2021 foi sancionada a lei que incluiu no Código Penal o crime de perseguição, conhecido como stalking.

A pena para quem for condenado é de seis meses a dois anos de prisão, mas pode chegar a 3 anos com agravantes, como crimes contra mulheres. Existe também a previsão de multa contra o infrator.

O crime, pela lei, consiste em seguir alguém reiteradamente e por qualquer meio, ameaçando a integridade física ou psicológica da vítima.

Stalking — Foto: Reprodução/Fantástico

O que é ‘stalking’

A prática é mais conhecida nos meios digitais, mas a lei prevê condenações para quem cometer o crime em qualquer meio, seja digital ou físico. A lei também definiu que será enquadrado no crime quem restringir a capacidade de locomoção da vítima.

Antes da lei, a prática de “molestar alguém ou perturbar-lhe a tranquilidade” era considerada contravenção penal, e não crime, e tinha como pena a prisão de 15 dias a dois meses, ou multa.

A pena de reclusão será aumentada em metade caso o crime seja cometido:

  • contra criança, adolescente ou idoso;
  • contra mulher por razões da condição do sexo feminino;
  • por duas ou mais pessoas, ou com o emprego de arma.

Veja quais os sinais que podem indicar uma perseguição:

  • Várias mensagens ou ligações no mesmo dia;
  • O perseguidor, após ser bloqueado nas redes sociais ou aplicativos de conversas, começa a criar vários perfis falsos;
  • O perseguidor começa a monitorar os locais em que você vai.

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Link original da notícia: https://g1.globo.com/pr/norte-noroeste/noticia/2023/09/06/jovem-esfaqueada-dentro-de-casa-em-londrina-era-stalkeada-pelo-suspeito-do-crime-diz-delegado.ghtml

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