A verdade sobre as práticas ESG

A verdade sobre as práticas ESG

A verdade sobre as práticas ESG

Um engano comum é achar que apenas as grandes empresas devem ou podem implementar ações e políticas ambientais, sociais e de governança. Os desafios ESG são comuns para todas as indústrias, independentemente do porte, pois a gestão com esse foco é essencial para a perenidade de todas. É o que explica Aline Calefi, coordenadora do Centro de Inovação Sesi Paraná.

“Uma indústria de pequeno porte precisa fazer uma correta gestão ambiental. O volume de resíduos e de consumo de água e energia pode ser menor do que de uma grande, mas segue sendo importante definir, mensurar e reportar esses indicadores. Uma estratégia de governança que inclua análise dos fornecedores também é essencial para pequenas indústrias. Definir programas de qualidade de vida, treinamento e pacote de benefícios são igualmente fundamentais, além das ações que são realizadas para a comunidade”, explica.

A especialista lembra ainda que pequenas e médias são fornecedoras de grandes indústrias, que estão investindo cada vez mais em ações ESG e cobrando as iniciativas da sua cadeia, até para que sigam exigências e critérios do mercado. Essas posturas são essenciais para indústrias que exportam, por exemplo, que precisam seguir uma série de exigências e critérios para que estejam aptas a negociar com outros países.

Segundo a pesquisa ESG Radar 2023, da Infosys, investimentos das empresas na pauta ESG devem aumentar mais de 50% em três anos. Até 2025, a expectativa é alcançar US$ 53 trilhões (R$ 273 trilhões). Para a especialista do Sesi, em breve não será mais uma simples tendência e, sim, uma obrigatoriedade. “ESG vai passar a fazer parte da estratégia das indústrias. Fazer negócios vai depender de como a indústria atua nos pilares ambiental, social e de governança de forma integrada”, explicou Aline, que lembrou a frase de Pavan Sukhdev: “Não há sustentabilidade sem lucro, nem lucro sem sustentabilidade”.

Embora a atenção do mercado às práticas ESG seja crescente, ainda há um longo caminho a seguir. A pesquisa Panorama ESG Brasil 2023, elaborada pela Amcham Brasil em parceria com a Humanizadas, mostrou que 47% das organizações entrevistadas se consideram referência em ESG. Além disso, 48% afirmam que o maior desafio da agenda é capacitar e conscientizar as equipes e lideranças sobre a importância dessas práticas.

Outro impeditivo é que grande parte das indústrias têm a ideia de que realizar esse conjunto significa gasto, no entanto, como explica Aline Calefi, trata-se de um investimento que trará muito mais ganhos reais, como:

  • A possibilidade de rever processos e otimizar recursos. Por exemplo: o impacto de gerar menos resíduo é ambiental, mas também é financeiro.
  • Se a indústria investe em saúde, vai diminuir o índice de afastamentos.
  • Ao adotar critérios para escolher fornecedores, corre um risco menor de ter o seu nome associado a algum escândalo envolvendo terceiros, ou de ter impedimentos em negociações.

“Que legado sua empresa vai deixar para o futuro?”. Mais que pensar no seu momento de modo individual, a Greca Asfaltos tinha essa preocupação em mente. Por isso, há muito tempo, práticas sustentáveis já faziam parte do seu propósito.

“Acreditamos firmemente que o sucesso de uma empresa vai além do lucro financeiro. É essencial que também nos preocupemos com o impacto que causamos no meio ambiente, nas comunidades onde operamos e na sociedade. Por isso, direcionamos os nossos esforços para incorporar de forma estruturada e formal as nossas ações e práticas ligadas ao ESG”, conta Taicir Badreldin, consultora de Processos e Projetos da empresa.

A Greca Asfaltos iniciou a sua jornada em ESG a partir de um diagnóstico da Bússola ESG, iniciativa da Fiep. O resultado trouxe clareza em relação ao nível de aderência e engajamento da empresa até aquele momento.

Com o material disponível, foi estruturado o Comitê de ESG e houve a criação de um plano de ação, que envolveu a redução de consumo de copos plásticos, campanhas para destinação correta de resíduos como óleo e pilhas, além da medição e controle de emissões atmosféricas.

Na dimensão de governança, a empresa implementou o Programa de Integridade e Transparência, além da revisão e adequação da base de contratos para atender à Lei Anticorrupção e à Lei Geral de Proteção de Dados.

No âmbito social, disponibilizou o programa de vacinação, investiu na qualificação dos seus profissionais, com bolsa de estudos e convênios com instituições de ensino e habilitou uma plataforma de treinamento com foco em liderança, saúde e bem-estar, produtividade, inovação, entre outros temas.

“Também atuamos fortemente com o voluntariado empresarial, com foco nos impactos positivos que podemos causar na comunidade local a partir do Time Greca Responsável”, compartilha Taicir.

Atualmente, a empresa está na segunda etapa da mentoria do Sesi, trabalhando na priorização das ações. A profissional destaca que o caminho ESG nunca tem fim, é uma evolução e comprometimento constantes.

“Por mais complexa que a jornada ESG possa parecer, atualmente existem inúmeras formas para conseguir direcionamento e criar um plano de ação inicial. Recomendo buscar conhecimento das práticas por meio de programas de instituições renomadas, como os do Sistema FIEP e também o Pacto Global”, reforça Taicir

Como explica a coordenadora do Centro de Inovação Sesi Paraná, ao colocar em prática o que é aprendido com a mentoria, a indústria passa a ter mais chances de conquistar novos clientes, fornecedores, melhorar o relacionamento com a comunidade e ampliar o acesso a crédito.

Participe da Chamada Sesi ESG

Para servir e fortalecer a indústria, ao mesmo tempo em que contribui para melhorar a vida das pessoas, o Sesi, em parceria com o Senai Paraná, abriu as inscrições para a Chamada Sesi ESG.

A iniciativa busca disseminar o conceito e a prática do ESG entre as indústrias paranaenses, com foco em desenvolver ações que melhorem os processos ambientais, sociais e de governança da indústria. Com fluxo contínuo, a chamada é dividida em duas fases:

Primeira fase: empresas com Classificação Nacional das Atividades Econômicas (CNAE) industrial que se inscreverem passam pela mentoria ESG, com investimento de R$ 950,00 (pequena e média indústria) e R$ 2.400,00 (grande indústria).

Segunda fase: ideias de novas tecnologias ou produtos, que surgirem na primeira etapa, podem ser inscritas para desenvolvimento com o apoio dos Institutos Senai de Tecnologia e Inovação. Nessa etapa, micro e pequenas têm R$ 100 mil de aporte para os seus projetos, com uma contrapartida de 10%; médias, R$ 200 mil com 20% e, grandes, R$ 300 mil, com 30% de contrapartida.

Em 2023 e 2024, a meta é beneficiar mil indústrias paranaenses por meio da chamada. Saiba aqui como participar.

Link original da notícia: https://g1.globo.com/pr/parana/especial-publicitario/fiep/sistema-fiep/noticia/2023/08/29/a-verdade-sobre-as-praticas-esg.ghtml

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