‘Sem saber o que fazer’: desativação do lixão da Vila Princesa preocupa catadores em Porto Velho

‘Sem saber o que fazer’: desativação do lixão da Vila Princesa preocupa catadores em Porto Velho

‘Sem saber o que fazer’: desativação do lixão da Vila Princesa preocupa catadores em Porto Velho

Um dos fundadores da comunidade e catador há mais de 30 anos, Francisco Pereira expressa sua preocupação após o anúncio da desativação do lixão. Ele relata que os trabalhadores da região não tiveram tempo para se organizar e tentar substituir a renda.

“Se fosse com um tempo maior, não tinha problema. Daqui um ano, por exemplo, todo mundo já tinha se organizado, montado sua cooperativa e ter seu trabalho garantido. Agora todo mundo foi pego de surpresa e estamos desorientados”, lamenta.

Segundo o morador, cerca de 400 pessoas moram na comunidade e em cada família há, no mínimo, dois a três integrantes que trabalham como catadores no lixão. Segundo Francisco, a maior parte dessas pessoas não possuem outra fonte de renda.

Desativação do lixão da Vila Princesa preocupa catadores — Foto: Emily Costa/ G1 Rondônia

Nizete Alves, também catadora de lixo na comunidade, menciona que a maioria dos trabalhadores não é alfabetizada, o que dificulta a busca por emprego. Ela considera o anúncio da desativação como um grande choque e afirma não saber como sobreviverá após o fechamento do lixão.

“Tudo que fizemos de reciclagem é para o nosso benefício, até roupa a gente tira de lá. Eles vão tirar nossa moradia e nosso emprego. Somos uma comunidade. Quando não tem dinheiro, vamos lá e conseguimos ligeiro algum trocado para comprar comida”.

Mais de 140 famílias vivem do lixo reciclável na comunidade Vila Princesa em Porto Velho — Foto: Emily Costa/G1 Rondônia

A catadora explica que não considera justo o valor do auxílio que será pago pela administração municipal aos trabalhadores, pois será válido apenas por seis meses, deixando muitas famílias sem renda após esse período.

Benefícios

De acordo com a Secretaria de Assistência Social e Família (Semasf), para evitar que as famílias fiquem desamparadas durante a desativação do lixão, um auxílio no valor de R$ 1 mil será concedido por um período de seis meses, com a possibilidade de renovação pelo mesmo período.

Segundo a secretaria, um questionário socioeconômico também será aplicado à comunidade para entender quais oportunidades de ensino profissionalizante eles desejam. Os cursos serão oferecidos de forma gratuita àqueles que não desejam mais trabalhar com a reciclagem.

A empresa contratada realizará melhorias na cooperativa de materiais recicláveis que existe na Vila Princesa. Isso inclui a reforma do galpão, que contempla vestiário, refeitório, revisão elétrica e outros aspectos. Além disso, serão doados uniformes e fornecidas cestas básicas aos catadores durante os dois primeiros meses após o fechamento do lixão.

Desativação da lixeira municipal de Porto Velho

O processo de desativação do lixão municipal localizado na comunidade Vila Princesa, a 16km de Porto Velho (RO), terá início no dia 1º de setembro e se estende até o mês de novembro de 2023. Um aterro sanitário será construído para que seja possível descartar de forma correta os resíduos que eram encaminhado para o lixão.

Lixão a céu aberto será desativado em Porto Velho (RO) — Foto: Emily Costa/G1 Rondônia

Segundo a administração municipal, Porto Velho é uma das duas únicas capitais do país que ainda operam no modelo de lixão a céu aberto. Atualmente, menos de 1% dos grandes geradores de resíduos na cidade realizam a destinação adequada do lixo.

A decisão de encerramento faz parte das medidas adotadas na Política Nacional de Resíduos Sólidos, que mantém a determinação para acabar com as lixeiras a céu aberto, que são um dos maiores problemas na gestão dos resíduos no Brasil.

De acordo com o plano, um dos principais objetivos é que o país recicle 13,8% de todo o lixo que gera. O documento reforça a importância dos catadores e estabelece que as prefeituras terão que remunerar esses trabalhadores e as cooperativas, como prestadores de serviço.

Construção do aterro sanitário

Resíduos da capital agora terão o aterro sanitário como destino final — Foto: Emily Costa / G1 Rondônia

Os resíduo que antes eram encaminhados para a lixeira municipal de Porto Velho, agora terão o aterro sanitário como destino final. De acordo com a prefeitura, o aterro será construído em um terreno que fica em frente à Vila Princesa, para que seja possível recolher o lixo reciclável e encaminhar para a coleta seletiva, que continuará sendo feitas pelos moradores do local.

A transferência também será feita de forma gradativa, em escala semanal. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Sema) também adotará outras medidas para aumentar a coleta de resíduos e realizar a distribuição de futuros “ecopontos” na cidade.

Link original da notícia: https://g1.globo.com/ro/rondonia/noticia/2023/08/31/sem-saber-o-que-fazer-desativacao-do-lixao-da-vila-princesa-preocupa-catadores-em-porto-velho.ghtml

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