Aterro sanitário ou lixão? Entenda a diferença entre o modelo existente e o que será implantado em Porto Velho

Aterro sanitário ou lixão? Entenda a diferença entre o modelo existente e o que será implantado em Porto Velho

Aterro sanitário ou lixão? Entenda a diferença entre o modelo existente e o que será implantado em Porto Velho

O processo de implementação de um aterro sanitário que vai substituir o lixão a céu aberto, localizado na comunidade Vila Princesa, terá início nesta sexta-feira (1º) em Porto Velho. Os resíduos que anteriormente eram encaminhados para a lixeira municipal agora receberão um tratamento apropriado. Mas, afinal, qual é a diferença entre esses dois métodos de descarte de lixo?

Entenda a diferença entre lixão á céu aberto e aterro sanitário — Foto: Emily Costa / g1 Rondônia

Segundo a professora doutora do departamento de geografia da Universidade Federal de Rondônia (Unir), Maria Madalena de Aguiar, os aterros sanitários são espaços planejados de forma estratégica para receber os dejetos que chamamos de ‘lixo’. Por outro lado, os lixões carecem dessa preparação, deixando os resíduos sólidos expostos a céu aberto, o que pode gerar diversos problemas ambientais.

Lixão

Segundo informações da administração municipal, Porto Velho é uma das duas capitais no país que ainda operam sob o modelo de lixão a céu aberto. Atualmente, menos de 1% dos principais geradores de resíduos na cidade estão adotando a devida prática de destinação de resíduos.

Toneladas de lixo são jogados a céu aberto em lixão de Porto Velho — Foto: Jheniffer Núbia / G1

Segundo a doutora em geografia, em um lixão os resíduos são descartados sem controle e a céu aberto. Esses locais representam grandes riscos à saúde devido à disseminação de doenças por transmissores, como ratos e moscas.

  • Coleta de lixo: Caminhões de coleta municipal ou privada recolhem o lixo de residências, empresas e áreas públicas e o transporta para o lixão.
  • Descarte: O lixo é despejado diretamente no terreno, sem cobertura e, geralmente, sem separação ou triagem adequada.
  • Acúmulo: Com o tempo, os resíduos se acumulam, formando montanhas de lixo no local.
  • Problemas ambientais: Lixões causam sérios problemas ambientais, incluindo poluição do solo e da água, produção de gases tóxicos e mau cheiro. Além disso, a proximidade de comunidades a esses locais aumenta os riscos da exposição aos poluentes e à contaminação.

Como funciona um aterro?

A professora explica que os aterros sanitários são projetados para o descarte seguro e controlado de resíduos sólidos. No local, o solo é impermeabilizado para que nenhuma substância possa contaminá-lo ou atingir os lençóis freáticos. Todo o processo de decomposição é monitorado:

  • Preparação do local: É preparado com camadas de impermeabilização, como argila e geomembranas, para evitar a infiltração ou a contaminação dos lençóis freáticos da cidade.
  • Coleta: Os resíduos sólidos são previamente separados, coletados e transportados para o aterro sanitário.
  • Descarte controlado: Lixos são depositados em células ou áreas delimitadas, onde são compactados para reduzir o volume e, em seguida, cobertos com uma camada de terra, por exemplo.
  • Controle de Gases e Líquidos: No local, existe um sistema de drenagem dos líquidos que se formam no interior do aterro e que precisam ser tratados para evitar contaminação do solo e água. O biogás gerado pela decomposição dos resíduos também é capturado para evitar a emissão de gases de efeito estufa.

Esse tipo de descarte é menos prejudicial ao meio ambiente, pois os aterros são construídos para prevenir a contaminação e reduzem os riscos à saúde pública.

Coleta seletiva

Maria Madalena destaca ainda que a coleta seletiva e a separação de resíduos são importantes tanto para aterros sanitários quanto para lixões a céu aberto. A técnica ajuda a reduzir a quantidade de resíduos que precisam ser descartados e aumenta a reutilização de materiais, contribuindo para a redução do impacto ambiental.

Os catadores de lixo tem um papel importante na reciclagem, pois coletam materiais, como plástico, papel, metal e vidro, para vender e obter renda. Muitas vezes, essa atividade acontece em áreas urbanas e pode envolver famílias inteiras, como é o caso dos catadores da Vila Princesa, que têm a reciclagem como principal fonte de renda.

Catador do lixão municipal de Porto Velho — Foto: Jheniffer Núbia / G1

“Por isso, ao realizar a migração de lixão para aterro sanitário é necessário pensar também nas populações que sobrevivem do lixo. Além disso, também é importante oferecer apoio e políticas que melhorem as condições de trabalho e a qualidade de vida dessas populações”, explica a geografa.

Desativação do lixão de Porto Velho

Lixão a céu aberto será desativado em Porto Velho (RO) — Foto: Emily Costa/G1 Rondônia

De acordo com a prefeitura, o aterro será construído em um terreno que fica em frente à Vila Princesa, para que seja possível recolher o lixo reciclável e encaminhar para a coleta seletiva, que continuará sendo feitas pelos moradores do local.

A transferência também será feita de forma gradativa, em escala semanal. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Sema) também adotará outras medidas para aumentar a coleta de materiais recicláveis.

Link original da notícia: https://g1.globo.com/ro/rondonia/noticia/2023/08/31/aterro-sanitario-ou-lixao-entenda-a-diferenca-entre-os-modelos-existentes-em-porto-velho.ghtml

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