Alepa aprova Dona Onete como patrimônio cultural e imaterial do Pará

Alepa aprova Dona Onete como patrimônio cultural e imaterial do Pará

Alepa aprova Dona Onete como patrimônio cultural e imaterial do Pará

A artista cujo nome artístico é uma referência a Ionete da Silveira Gama, é uma figura icônica da música paraense, nascida na ilha do Marajó, em Cachoeira do Arari, arquipélago do Marajó.

Sua carreira é um testemunho de dedicação à preservação e promoção dos sons amazônicos, com uma abordagem musical que combina elementos indígenas, africanos e caribenhos em uma mistura de ritmos vibrantes.

A trajetória de Dona Onete é marcada por uma vida de envolvimento com a cultura paraense. Ela foi secretária de cultura e fundadora de grupos de danças folclóricas e música regional, incluindo o “Canarana”, além de ter participado ativamente de agremiações carnavalescas.

Durante 25 anos, dedicou-se ao ensino de História, mas seu sonho sempre foi viver da música. Após sua aposentadoria, ela lançou-se na carreira artística e conquistou os corações de fãs tanto no Brasil quanto no exterior.

Dona Onete — Foto: Divulgação

Em 2012, Dona Onete lançou seu primeiro CD, que apresentava uma seleção de boleros e carimbós. Esse lançamento despertou o interesse de produtoras estrangeiras em países como Portugal, França e Inglaterra, levando sua música para públicos internacionais.

Foi com o álbum “Feitiço Caboclo”, lançado aos 73 anos, que Dona Onete alcançou reconhecimento global. A faixa-título se tornou um sucesso na internet, consolidando-a como uma das principais vozes da música amazônica.

Ela também lançou os aclamados álbuns “Jamburana”, “Moreno Morenado” e “Proposta Indecente”, todos produzidos pelo músico Marco André. O deputado Elias Santiago, autor do Projeto de Lei, destacou a importância de Dona Onete na cena musical brasileira.

“Dona Onete foi pioneira ao quebrar preconceitos na música brasileira e ser proclamada ‘rainha do carimbó’. Ela desafiou o machismo que permeia a história desse gênero musical ao abordar temas como a sedução em suas composições e rompeu tabus sobre a sexualidade na terceira idade”, declarou o deputado.

Com mais de 300 composições, entre carimbós e boleros, Dona Onete não apenas conquistou os ouvidos do público, mas também inspirou outros artistas paraenses, como Gaby Amarantos e Aíla, que gravaram suas canções.

Fafá de Belém, Dona Onete e Gaby Amarantos cantaram juntas no show Pará Pop no palco Sunset — Foto: Graça Paes/AgNews

Além disso, ela tem atraído a atenção de produtoras na Europa, fazendo turnês por festivais de renome, como o Rudolstadt Festival na Alemanha, o Zwarte Cross na Holanda e o WorldWide Festival em Sete, França.

Dona Onete não é apenas uma figura musical, mas uma embaixadora da cultura paraense para o mundo. Em 2017, ela foi destaque na capa da maior revista de world music do mundo, a Songlines, e suas músicas figuraram no World Music Charts Europe Top 20.

Em 2018, realizou duas turnês europeias, incluindo a Ásia, lançou seu primeiro DVD ao vivo e continuou a encantar o público em todo o Brasil.

O reconhecimento de Dona Onete como Patrimônio Cultural e Imaterial do Pará não apenas homenageia uma artista extraordinária, mas também celebra a riqueza e a diversidade da cultura amazônica.

A decisão unânime da Alepa é um testemunho do impacto duradouro que Dona Onete teve e continua a ter na música e na cultura do Pará e do Brasil como um todo.

VÍDEOS com notícias do Pará:

Link original da notícia: https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2023/09/07/alepa-aprova-dona-onete-como-patrimonio-cultural-e-imaterial-do-para.ghtml

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