Heroína da vida real: Dira Paes participa de bate-papo com a maranhense Pureza Loyola, que inspirou filme protagonizado pela atriz

Heroína da vida real: Dira Paes participa de bate-papo com a maranhense Pureza Loyola, que inspirou filme protagonizado pela atriz

Heroína da vida real: Dira Paes participa de bate-papo com a maranhense Pureza Loyola, que inspirou filme protagonizado pela atriz

O diretor do filme que retrata a luta de Pureza contra o trabalho escravo contemporâneo, Renato Barbieri, também esteve presente na conversa, precedida pela exibição do longa-metragem em uma sala de cinema, especialmente reservada para a homenagem.

Durante o evento, o diretor deu detalhes do processo de produção do filme, que levou 12 anos para ser feito, e ressaltou o reconhecimento internacional da luta de Pureza, considerada uma heroína abolicionista contemporânea.

“Essa oportunidade é única e a gente tem que reconhecer que essa mulher que temos a honra de poder conviver, é reconhecida internacionalmente como uma heroína. É a única mulher no Brasil que ganhou dois prêmios, de abolicionista, de libertária. Temos que reconhecer a obra dela, a mensagem dela”, disse Barbieri.

Pureza estreia nos cinemas: Filme conta a história da maranhense que lutou para livrar o filho do trabalho escravo contemporâneo — Foto: Divulgação

A atriz Dira Paes relembrou que a última vez que veio ao Maranhão foi quando visitou Loyola, em sua casa, no município de Bacabal. Segundo ela, é uma honra estar novamente na “terra” onde tudo começou.

“Hoje eu acho que pureza encontra no seu ciclo o seu destino inicial, a sua raiz. É um encontro de duas forças convergentes. De certa maneira eu já conhecia a história da pureza, mas não a conhecia pessoalmente. Quando o Renato me apresentou o roteiro, falei: ‘gente, eu tenho que fazer esse filme!’. É um filme que em duas horas localiza historicamente o trabalho escravo contemporâneo”, afirmou a atriz.

Ainda durante o bate-papo, dona Pureza contou a sua luta contra a escravidão ao procurar o filho mais novo, Abel, que saiu de casa para trabalhar em um garimpo, em 1996. Depois de três anos de muita peregrinação, ela conseguiu localizar e resgatar o filho no interior do Pará.

“Criei meus filhos só, por isso que sou uma ‘fera’ com eles. Uma vitória dessa nunca tinha acontecido. Isso que aconteceu não é nem mais cativeiro, é perversidade. Levar os filhos ‘alheios’ para trabalhar e lá virarem escravos. Hoje meu filho mora perto de mim, mas foi muito difícil tirar esse homem e os outros de lá”, relembrou Pureza.

A saga de Pureza

Maranhense Pureza Lopes Loyola (Imagem retirada do documentário ‘Pureza: uma mulher contra o trabalho escravo’ do programa educacional Escravo, Nem Pensar! da ONG Repórter Brasil. — Foto: Reprodução/Escravo, Nem Pensar!

Pureza Lopes Loyola, que foi a inspiração do filme ‘Pureza’, é uma maranhense, nascida na cidade de Presidente Juscelino, município a 85 km de São Luís. Depois ela se mudou para Bacabal, a 240 km da capital, por causa do marido. Mas o casamento chegou ao fim, e dona Pureza ficou com cinco filhos para criar.

Para sobreviver, ela e os filhos trabalhavam em uma olaria e com a venda de tijolos. Evangélica, ela alfabetizou-se aos 40 anos com o objetivo de ler a Bíblia.

Em 1993, a vida de Pureza tomou um rumo inimaginável. Depois de meses sem receber notícias do filho caçula, Antônio Abel, que tinha ido para o Estado do Pará em busca da sorte em um garimpo, Pureza decidiu seguir seu rastro. Ela saiu de casa apenas com a roupa do corpo, uma bolsa, sua Bíblia e uma foto do filho Abel.

Em busca de Abel, Pureza desafiou fazendeiros e jagunços para resgatar o filho da escravidão contemporânea na Amazônia brasileira. Ela se infiltrou em fazendas como cozinheira e descobriu um perverso sistema de aliciamento e escravidão de trabalhadores, que eram ‘contratados’ com falsas promessas, para derrubar grandes extensões de mata nativa a fim de converter a área em pastagem para o gado.

De fazenda em fazenda, Pureza conheceu de perto o drama dos peões e se tornando amiga e confidente de muitos trabalhadores. Ela conheceu o esquema dos empregadores, que confiscavam os documentos de identidade dos empregados e os tornavam totalmente dependentes dos encarregados para obter roupa, comida e produtos básicos. Pureza também ouviu relatos de trabalhadores que poderiam ser mortos se tentassem se rebelar ou fugir.

Após conseguir fugir do cárcere privado, dona Pureza decidiu agir e denunciou a situação dos trabalhadores. Com a ajuda da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Pureza entrou em contato com o Ministério do Trabalho e o Ministério Público do Trabalho no Maranhão, no Pará e em Brasília. A mãe chegou a escrever cartas para três presidentes da República: Fernando Collor, Itamar Franco (o único que lhe respondeu) e Fernando Henrique Cardoso. Até hoje, ela guarda uma cópia de cada uma dessas cartas.

O reconhecimento da história heroica da luta de Pureza para encontrar Abel fez com que, em 1995, fosse criado o primeiro grupo especial móvel de fiscalização para fazer cumprir a lei e garantir os direitos trabalhistas em todo o território nacional. Do ano de criação até 2021, esse grupo conseguiu libertar mais de 57 mil trabalhadores em condições análogas à escravidão.

Atualmente, Abel vive na cidade de Bacabal com dona Pureza e a família. O filme que relata essa história heroica já foi exibido ns principais cinemas do Brasil.

Cena do filme ‘Pureza’, com Dira Paes. — Foto: Divulgação / Downtown Filmes

Link original da notícia: https://g1.globo.com/ma/maranhao/cultura/noticia/2023/09/05/heroina-da-vida-real-dira-paes-participa-de-bate-papo-com-a-maranhense-pureza-loyola-que-inspirou-filme-protagonizado-pela-atriz.ghtml

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