Pessoa não-binária ganha direito de alterar registro de gênero na identidade: ‘Um grande passo’

Pessoa não-binária ganha direito de alterar registro de gênero na identidade: ‘Um grande passo’

Pessoa não-binária ganha direito de alterar registro de gênero na identidade: ‘Um grande passo’

“A conquista institucionalizada do nome e gênero como a gente se identifica é muito importante, e claro, um grande passo para as pessoas não binárias”, compartilha Mar Dias em entrevista ao g1.

A ação que levou à retificação foi conduzida pela 6ª Defensoria Pública Especializada de Atendimento Inicial Cível da Capital após a assistida, Mar Dias, procurar a instituição com toda a documentação necessária em fevereiro de 2020. Inicialmente, a DPE-GO iniciou os trâmites para a retificação, mas os cartórios de registro negaram o pedido ao longo do ano.

Em dezembro do mesmo ano, Mar Dias retornou à Defensoria Pública e foi encaminhada ao Atendimento Inicial Cível. O defensor público Gustavo Alves, titular da 6ª Defensoria Pública Especializada de Atendimento Inicial Cível da Capital, solicitou ao Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO) a retificação do nome e gênero conforme a identificação da assistida.

Mar Dias é uma pessoa não binária / travesti — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Processo de autoconhecimento

Mar Dias, aos 24 anos de idade, compartilhou sua jornada de autodescoberta como pessoa não binária. Essa identidade, que representa alguém que se identifica como agênero, significa que Mar não se encaixa nas categorias tradicionais de gênero masculino ou feminino, e os nomes e sexo registrados em seus documentos legais não refletem quem ela é.

Desde sua infância, Mar sempre se identificou com as expressões artísticas, encontrando formas de se comunicar melhor por meio da dança e do teatro. Foi no teatro, em 2014, que ela escolheu o nome “Mar” pela primeira vez, como parte de uma troca de apelidos com amigas próximas. Esse nome se tornou um marco simbólico em sua jornada de autodescoberta de gênero.

No entanto, o receio de usar seu nome verdadeiro persistiu até 2017, quando Mar ingressou na universidade. Foi durante um curso chamado “Histórias e Estudos de Gênero e Feminismo” que ela foi exposta a diversas possibilidades de identidade de gênero fora da dicotomia homem-mulher. Isso foi libertador para Mar, que descobriu que havia uma vasta gama de identidades de gênero para além do binarismo tradicional.

Mar Dias em foto nas redes sociais — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Contudo, enfrentar essa jornada de autodescoberta não foi fácil. Mar teve que explicar sua identidade como pessoa não binária às pessoas ao seu redor, mesmo enquanto ainda estava aprendendo as nuances dessas identidades. Lidar com essa pressão e compreender as nomenclaturas foi um desafio, mas Mar finalmente se sentiu confortável como Mar Dias, uma pessoa não binária.

Após essa autodescoberta, Mar buscou a Defensoria Pública do Estado de Goiás para solicitar a retificação de seu nome e gênero em seus documentos legais, um marco importante na representação das identidades não binárias.

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Link original da notícia: https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2023/09/05/pessoa-nao-binaria-ganha-direito-de-alterar-registro-de-genero-na-identidade-um-grande-passo.ghtml

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