Sequestro e morte de Ana Lídia, em Brasília, completam 50 anos; caso ainda é rodeado de mistérios

Sequestro e morte de Ana Lídia, em Brasília, completam 50 anos; caso ainda é rodeado de mistérios

Sequestro e morte de Ana Lídia, em Brasília, completam 50 anos; caso ainda é rodeado de mistérios

Nascida em julho de 1966 no antigo Hospital Dom Bosco, a menina era filha de Álvaro Braga e Eloyza Rossi, servidores públicos, e era irmã de Cristina, de 21 anos, e Álvaro Henrique, de 18. Ela era uma criança que todos diziam ser meiga e adorável.

Desaparecimento e morte

Caso Ana Lídia no jornal, em imagem de arquivo — Foto: TV Globo/Reprodução

De tarde, Ana Lídia foi vista pela última vez. Ela foi deixada pelos pais na porta de uma escola na L2 Norte, onde estudava. Só quando a babá foi buscar a criança é que o desaparecimento foi percebido.

Rapidamente a notícia se espalhou por Brasília e a 2ª Delegacia de Polícia, na Asa Norte, entrou no caso imediatamente. Foi quando surgiu a primeira pista: o jardineiro do colégio havia visto um homem sair com Ana Lídia de mãos dadas.

Um rapaz alto, jovem e de cabelos castanhos: essa foi a descrição que o jardineiro fez do homem que teria buscado a menina na escola. As características eram semelhantes a de Álvaro Henrique, irmão de Ana Lídia.

Na noite do mesmo dia, o delegado que pegou o caso, José Ribamar, recebeu uma ligação. Um homem dizia estar com a garota e exigia 2 milhões de Cruzeiros, o que hoje seria R$ 11 milhões. Ao telefone, choro de uma criança.

O pai de Ana Lídia também recebeu um bilhete, pedindo 500 mil Cruzeiros, em um supermercado perto da casa da família. A polícia não deu importância por causa da diferença entre os valores exigidos.

Naquela madrugada, a polícia passou a buscar pela menina em áreas de mata, começando pela Ponte do Bragueto. De tarde, o patrulheiro Antônio Morais encontrou parte do corpo de uma criança enterrado nas proximidades da Universidade de Brasília (UnB).

O corpo era de Ana Lídia. Ela estava sem as roupas, tinha os cabelos cortados, estava machucada e com sinais de estrangulamento.

O corpo de Ana Lídia foi sepultado sob forte comoção, mas uma ausência chamou atenção: Raimundo Lacerda Duque, amigo da família e subordinado da mãe de Ana Lídia no departamento administrativo do serviço público. A justificativa dele era que tinha viajado para Anápolis para visitar parentes.

Investigação

Ana Lídia Braga tinha 7 anos quando foi assassinada, em Brasília — Foto: TV Globo/Reprodução

Com base no depoimento do jardineiro, ainda em 1973, a Polícia Civil começou a investigar o irmão de Ana Lídia e Raimundo Duque. A suspeita é que eles teriam planejado o sequestro para conseguir dinheiro e pagar dívidas com traficantes.

Segundo a ação civil, após descobrir que estava sendo investigado, Raimundo fugiu para Conceição do Araguaia, no Pará, com uma identidade falsa. Ele ficou hospedado por alguns dias na casa do Oficial de Justiça José Bonfim da Aparecida, onde foi encontrado em fevereiro de 1974.

Álvaro Henrique, irmão de Ana Lídia, chegou a ser preso por suspeita de cometer o crime — Foto: TV Globo/Reprodução

A investigação durou pouco mais de um ano e resultou na prisão dos dois. Em 1974, eles foram soltos por ausência de prova. Mesmo assim, o Ministério Público decidiu denunciar os dois pela morte de Ana Lídia.

A denúncia do MP diz que a menina foi morta por asfixia, sufocamento e que foi violentada sexualmente, quando já estava morta. Os sinais estavam no corpo, em preservativos, e papel higiênico com material genético, encontrados no local. Ana Lídia foi enterrada em vala rasa, aberta por uma haste de madeira.

Outro trecho da denúncia destacou que a expectativa de descoberta dos autores e a demora de resultados concretos nas investigações trouxeram irritação e desconfiança. Além disso, à princípio, nada de concreto teria sido apurado, segundo os promotores. As dificuldades das investigações se juntaram a falhas técnicas e humanas.

Embora Álvaro e Raimundo tenham sido apontados como responsáveis pelo crime, a investigação nunca analisou as impressões digitais deles para comparar com os sinais encontrados perto do corpo e nas cartas com pedidos de resgate.

Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

Link original da notícia: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/quiz/sequestro-e-morte-de-ana-lidia-em-brasilia-completa-50-anos-caso-ainda-e-rodeado-de-misterios.ghtml

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