Bloco de combate à violência contra mulheres homenageia uruguaia morta no Carnaval há 10 anos no PR

Bloco de combate à violência contra mulheres homenageia uruguaia morta no Carnaval há 10 anos no PR

A iniciativa mobiliza mais de 230 mulheres de diferentes grupos sociais e é apoiada por instituições como a Patrulha Maria da Penha, a Delegacia da Mulher e o Centro Referência em Atendimento à Mulher em Situação de Violência (Cram).

A uruguaia Martina Conde Piazza foi assassinada em 2014 no Carnaval de Foz do Iguaçu — Foto: Reprodução

Conforme Valentina Virgílio, uma das coordenados do bloco, a passagem do grupo irá trabalhar com algumas campanhas, como a do “não é não”, que fala sobre o respeito ao corpo da mulher e ao direito de escolha dela – no Carnaval e em qualquer época do ano.

“Vamos falar também sobre transfobia, distribuir leques informativos falando sobre violência, combate ao assedio, números da rede de proteção e apoio e números importantes para buscar acolhimento e fazer denúncias”, afirmou a representante do bloco.

Durante a passagem do bloco também serão distribuídas tatuagens temporárias que reforçam a importância do respeito às mulheres, assim como absorventes e preservativos femininos e masculinos.

Importância do tema no Carnaval

Bloco das Martinas homenageia uruguaia morta há 10 anos no Carnaval no PR — Foto: Divulgação/Bloco das Martinas

A delegada geral da Delegacia da Mulher de Foz do Iguaçu, Giovana Antonucci Brito Oliveira, afirmou que no sábado (10), data da concentração do bloco na Praça da Paz, viaturas da delegacia estarão no local apoiando a inciativa.

Para ela, o debate da violência contra a mulher no Carnaval é muito pertinente, visto que neste período aumentam os casos de violações contra as mulheres.

“O Carnaval é um feriado nosso, ele está ali para a gente se divertir, não para ocorrer crimes, para desrespeitar direitos alheios. Todo cidadão tem o direito à integridade física e a sua liberdade. A gente não pode desrespeitar a liberdade do outro”, afirmou a delegada.

Bloco de combate à violência contra a mulher — Foto: Divulgação/ Bloco das Martinas

Para Valentina Virgílio, como a festividade envolve muitas pessoas e de uma camada extensa da população, o ambiente se torna favorável para que a discussão ganhe novos adeptos, em especial os homens.

“A importância do Bloco das Martinas é latente, a gente vê uma oportunidade de levar essa temática para dentro do Carnaval de forma irreverente e responsável. É uma oportunidade ímpar de poder trazer também os homens para dentro dessa pauta. […] eles também são parte fundamental dessa luta”, afirmou uma das coordenadoras do bloco.

‘Mulher bonita é a que luta’

Martina Conde Piazza teve a vida ceifada justamente na festa que mais fala sobre liberdade e alegria, o Carnaval. A uruguaia foi morta no dia 3 de março de 2014, no apartamento alugado por amigos e de que ela estava cuidando. O corpo foi encontrado três dias depois da última vez que foi vista.

Depoimentos de testemunhas e imagens das câmeras de monitoramento do prédio onde Martina estava ajudaram a identificar Jeferson, que confessou o assassino.

Segundo a perícia do Instituto Médico-Legal, a estudante morreu por asfixia mecânica, provocada por estrangulamento e enforcamento por um fio elétrico.

Martina era estudante de Antropologia da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) e é lembrada pelos amigos como defensora dos direitos das mulheres e pela alegria contagiante.

“A grande militante, feminista, essa pessoa totalmente empoderada, essa pessoa totalmente pronta e ativa pela luta das mulheres. Essa frase dela ‘mulher bonita é a que luta’ ficou ecoando na nossa cabeça, mas era muito longo para bloco e pensamos em Martinas justamente no ano dos 10 anos que ela foi assassinada. […] De onde ela está com certeza está conduzindo esse processo para que esse seja esse sucesso que está acontecendo”, afirmou Virgílio.

Amigos lembram da luta de Martina em defesa das mulheres — Foto: Reprodução

Número de feminicídios cresceu no Paraná

A lei só passou a considerar o feminicídio como uma qualificadora do crime de homicídio em 2015. São assassinatos que envolvem “violência doméstica e familiar e/ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher”.

A medida tornou a punição mais rigorosa, com pena que varia de 12 a 30 anos de prisão.

Violência contra a mulher; agressão; violência de gênero; sobrevivência feminina — Foto: Bruna Bonfim/g1

Como o crime contra Martina foi em 2014, ele não foi tipificado como feminicídio, segundo a delegada Giovana.

“Quando Martina foi assassinada, em 2014, não havia a previsão do feminicídio como qualificadora do homicídio. Então, a gente vê todo o movimento de recrudescimento da legislação no sentido de deixar mais rigorosa a lei no caso de crimes cometidos em desfavor das mulheres”, destacou a delegada.

Como denunciar casos de violência contra mulher

  • 190 – Polícia Militar (PM)
  • 180 – Central de Atendimento à Mulher
  • Delegacia da Mulher Foz do Iguaçu – (45) 3521-2150
  • 197 – Polícia Civil

VÍDEOS: Mais assistidos g1 PR

Link original da notícia: https://g1.globo.com/pr/oeste-sudoeste/noticia/2024/02/09/bloco-de-combate-a-violencia-contra-mulheres-homenageia-uruguaia-morta-no-carnaval-ha-10-anos-no-pr.ghtml

Artigos Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *